terça-feira, 15 de outubro de 2013

(Biografia) Félix Bermudes - Benfiquista dos 7 oficios

É um homem que chegou, muito tarde à velhice. Explica-se porque: ganhava campeonatos aos 50 anos!”


Impôs-se desde muito cedo, ao lado de Cosme Damião, primeiro como atleta e, mais tarde, como dirigente.
Foi fundador [nº5] do S.L.Benfica e seu Presidente [1916-17; 1930-31; 1945], atleta do clube em futebol, remo, esgrima e ciclismo e campeão nacional de tiro (representou o país nos Jogos Olímpicos de 1920 e 1924); foi da sua autoria a sugestão para a bem conhecida divisa do SLB, "E Pluribus Unum", foi autor da letra do primeiro Hino do Benfica "Avante, Avante p'lo Benfica", de imediato censurado pelo governo. 

"Avante, Avante p`lo Benfica"

Todos por um!" eis a divisa,
Do velho Clube Campeão,
Que um nobre esforço imortaliza,
Em gloriosa tradição
Olhando altivo o seu passado,
Pode ter fé no seu futuro.
Pois conservou imaculado
Um ideal sincero e puro.


REFRÃO
Avante, avante p'lo Benfica,
Que uma aura triunfante Glorifica!
E vós, ó rapazes, com fogo sagrado,
Honrai agora os ases
Que nos honraram o passado!
Olhemos fitos essa Águia altiva,
Essa Águia heráldica e suprema,
Padrão da raça ardente e viva,
Erguendo ao alto o nosso emblema!
Com sacrifício e devoção
Com decisão serena e calma,
Dêmos-lhe o nosso coração!
Dêmos-lhe a fé, a alma!








"Félix Bermudes, fez parte das listas da oposição nas eleições de 1949. Norton de Matos acaba depois por desistir e Félix Bermudes ficou chateado. Estamos a falar de oposicionistas activos." ,Ricardo Serrado em O Publico




Um símbolo, responsável pela escolha do nome Sport Lisboa e Benfica, aquando da fusão em 1908. O clube fica-lhe ainda a dever a paixão devotada nos momentos de crise. Foi sempre o primeiro a chegar-se à frente com dinheiro, como ocorreu em 1907, após a fuga de oito jogadores para o Sporting, que quase ameaçou a existência do Grupo Sport Lisboa.





No mesmo ano, promoveu uma subscrição pública a favor da colectividade, que rendeu 27 000 réis, uma pequena fortuna para a época. Foi eleito presidente do Sport Lisboa e Benfica em 15 de Julho de 1916 (ficou poucos meses no cargo) e haveria de acudir o clube um ano depois, em nova crise, voltando a ser eleito em 1930 (recusou tomar posse por divergências).

Nas primeiras décadas de vida do Benfica, o número de modalidades e atletas era  enorme. Em 1931 o Benfica tinha 3070 e 420 atletas nas mais diversas modalidades.
Alfredo Luís Piedade foi uma grande figura do ciclismo, tendo-se destacando no “Raid Paris – Lisboa”. Um pouco mais tarde apareceu também José Maria Nicolau que venceu duas vezes a volta a Portugal em bicicleta (1931 e 1934).

Também nesta altura foi introduzido o andebol no Benfica tendo para isso contribuído sobretudo Carlos Garcia Lopes e Vasco dos Santos. Apesar de o primeiro campeonato Nacional de andebol apenas se realizar em 1938. 




Quando da sua segunda passagem pelo clube, em 1945/46 (em 1930, não aceitou tomar a posse), o jornal Os Sports, onde publicou muitos poemas, deu ênfase ao facto de Félix Bermudes pertencer a uma equipa de dirigentes que honram um clube e de significar para os mais novos a exemplar conduta para um irmão mais velho.
No último ano, em 1945, sagrou-se campeão nacional e resolveu o intrincado problema da sede da Rua Gomes Pereira, através da compra do edifício por 700 contos, a liquidar em 15 anos.



O seu grande interesse nunca foi o trabalho administrativo. Foi atleta do clube de 1905 a 1917, destacando-se no futebol, ciclismo e ténis. Em 18 de Janeiro de 1945 foram-lhe concedidos os galardões de Sócio Benemérito e de Sócio de Mérito. Em 1952 e 1954 fez parte da Comissão de Honra para o novo Parque de Jogos (Estádio da Luz).




Félix Bermudes é um forte, que sempre respeitou os fracos, um vencedor, que nunca desdenhou os vencidos. 
Foi, o que o torna excepcional, um homem na sua plenitude, sempre cuidou da saúde mental e corporal, e no final, olhando para trás, será com certeza um motivo de orgulho por tudo o que sonhou fazer neste mundo. 

Fisicamente, foi um grande desportista, ganhou campeonatos de atletismo, de tiro, de esgrima de e futebol. Foi participante nos Jogos Olímpicos de Antuérpia em 1920 e de Paris em 1924, onde alcançou o 4ºLugar na grande prova de mestres atiradores internacionais à pistola, a 50 metros. 
Um homem com muita capacidade de adaptação que tratou por tu desportos como ginástica, hipismo, remo, ciclismo, alpinismo e por final o ténis.


Medalha conquistada nos Jogos Olímpicos em Paris


Teatralmente, ocupou os palcos de todas as salas de espectáculos do País, durante dezenas de anos.
Escreveu em colaboração, ou apenas com a sua assinatura, ora criando, ora adaptando, no total de 105 peças de teatro.
Como não foi amante de apenas um deporto, também não o foi para o teatro, e por consequência foi autor de Revista, Opereta, Farsa, Comédia e a Mágica saíram dos bicos a sua pena em quantidade e qualidade. Pode dizer-se que, em regra, nao escrevia peças, escrevia êxitos. Alguns exemplos mais abaixo:
Revistas: “Sol e Sombra”, “Capote e Lenço”, “Novo Mundo”, “Torre de Babel” e “Lua Nova” ;
Operatas: “O João Ratão”, “J.P.C.” e “Pérola Negra” ;
Comédias: “O Conde Barão”, “O amigo de Peniche”, “O Leão da Estrela”, “A Bicha de Rabiar” e “Arroz Doce”.
Destes ainda transportados para o cinema os seguintes “O João Ratão” e “O Leão da Estrela”.

Quer o desportista, quer o autor dramático, foram com brilho, persistentes na criação de regras de convivência e de organismos de cooperação.

O desportista elaborou os estatutos da Associação e Futebol de Lisboa e fundou o Sport Lisboa e Benfica, ainda hoje reconhecido como o maior clube Português.
O autor dramático fundou e dirigiu agremiações da especialidade, e presidiu aos destinos da Sociedade de Escritores e Compositores Teatrais Portugueses, e ate bem perto do fim exerceu o cargo algo, e honroso, de vice-presidente de Federações Internacionais de Sociedade de Autores e Homens de Letras. 

A sua obra de escritor inclui, publicados, volumes de versos e de novelas, bem como ensaios de filosofia política e de filosofia espiritual, que marcaram pelo desassombro e pela serenidade austera. Compôs e traduziu vários poemas de conduta moral, entre os quais os “Versos Doirados dos Pitagóricos”

O seu livro mais empolgante (Opiniões) é “O Homem Condenado a ser Deus”, em que desenrola um vasto e atraente sistema filosófico a demonstrar que, atraves de inumeras quedas e incontaveis erros, o homem conserva intacta a centelha divina, a semente de divindade, que herdou do seu criador. Ao cabo da longa jornada da evolucão, cada ser humano, conquitada a perfeicao como unidade de consciência, tornar-se-á um deus, na infância, mas à imagem e semelhanca de seu Pai.



Félix Bermudes viria a falecer a 5 de Janeiro de 1960, deixando atrás, um legado que é, não só orgulho de qualquer Benfiquista, como também de qualquer Português. Choramos a sua morte, mas principalmente celebramos a sua memória, por tudo o que representou, pois são estes os valores de um Benfiquista á Benfica.




Sem comentários:

Enviar um comentário