quarta-feira, 9 de outubro de 2013

(Biografia) José Águas - Há 63 anos o Benfica fez uma digressão por África e aterrou em Lisboa com um reforço na bagagem



“Eu era um miúdo magro e fracalhote. Morava no Lobito, numa casa pequenina, airosa e bonita, junto à estação do caminho-de-ferro. Os apitos dos comboios foram o acompanhamento musical das lágrimas e das gargalhadas dos meus primeiros tempos de… jogador…
Por trás da minha casa havia a praia, o mundo em que eu havia de arranjar este sarilho de ser futebolista. Eu gostava muito da minha casa e de um pinheiro muito verde que eu plantara quando era muito mais miúdo ainda e viera há menos tempo de Luanda – a terra em que nasci, meu pai morrera.
Minha mãe criava-me com todo o carinho e eu palmilhava todos os dias o caminho da escola, sacola ao tiracolo. Era um aluno aplicado, gostava de estudar! Mas, claro, o recreio, as horas de chilreada, felizes e alegres daqueles tempos, eram a minha “perdição”. E a bola – a mágica bolinha – apareceu. Que tardes no areal da praia!
Viram-me mexer na borracha e… nada feito, porque a minha mãe achava-me menino fraco demais para aquelas andanças. Viria a começar tarde. Só aos 15 anos ela me deixou calçar pela primeira vez umas botas de futebol.
E eu apareci, de repente, sem mais aquelas, a jogar na equipa do Lusitano Sports Clube.
Mas, nessa altura, eu tinha arranjado outros amores…
Gostava imenso de estar na praia, com a minha irmã e mais três ou quatro raparigas, numa brincadeira de nunca mais acabar. Nasceram-me os primeiros e tímidos pêlos da cara…
Arrefecera o meu entusiasmo pela bola. E era um grande entusiasta do futebol, mas para ver jogar e só ver, simplesmente...
Com 17 anos comecei a trabalhar num escritório – o primeiro emprego da minha vida. O meu chefe era o vice-presidente do Lusitano Sports Clube e eu “devia” jogar todos os Domingos. Mas fizera-me “cábula” da bola e, dos dezasseis jogos do campeonato, não alinhava em mais de cinco ou seis. Às segundas-feiras, o meu chefe ralhava-me – eu faltara mais uma vez… Até que… O Benfica visitou o Lobito!
Eu andava triste nessa altura e o sonho que desde muito novo acalentava – visitar Lisboa – fazia-me um “roi-roi” no peito. Joguei e… agradei.
Depois da morte da minha mãe a minha terra já não tinha para mim o ambiente feliz dos meus primeiros tempos. Havia a dor e a saudade no meu peito, que seriam a razão definitiva do salto que eu ia dar.
E vim para Lisboa.

A minha disposição era de estar aqui um ou dois anos – eu não me habituara à ideia de que podia fazer vida como jogador de futebol… O que depois se passou já toda a gente sabe. Cá estou…” artigo assinado por José Águas e escrito em 1951


Aqui começa a história do capitão dos capitães.
Quantos jogadores venceram a Taça dos Campeões?
Quantos jogadores venceram a Taça dos Campeões e se sagraram melhores marcadores nessa época de glória?
Nove: Di Stéfano, Puskas, José Águas, Altafini, Müller, Van Basten, Kaká e Cristiano Ronaldo.
Quantos jogadores venceram a Taça dos Campeões, se sagraram melhores marcadores e ainda levantaram a Taça na qualidade de capitães?
Só um: José Águas, em 1961.


E é dele que vamos falar, porque fez, 63 anos que chegou a Portugal, via Angola.
Nasceu em Luanda e cresceu em Lobito. Aos 15 anos, José entra como dactilógrafo na Robert Hudson, empresa concessionária da Ford, e com facilidade lança-se na equipa de futebol da firma, mostrando o mais tarde confirmado, o seu instinto goleador.


«Uma vez», conta José Águas  «aconteceu um episódio curioso. Tinha dois jogos importantes, o da Casa num sábado, e o do Lusitano no dia seguinte. Eu estava indeciso, porque os directores do Lusitano não queriam deixar-me jogar na véspera do desafio que lhes interessava. Para contentar ambas as partes, pedi-lhes para me deixarem jogar só um bocadinho no sábado, saindo logo que estivéssemos a ganhar. Concordaram, mas foram para o campo fiscalizar. Entrei a jogar e marcámos dois golos. Saí, como tinha ficado combinado, mas passado um bocado os meus colegas consentiram o empate. Voltei a entrar e daí a pouco o resultado passou para 3-2. Pedi para sair, e novo empate se registou! Lá tive que entrar outra vez, e então fiquei até ao fim. Acabamos por ganhar, salvo erro, por 4-3.»


Em 1950, José Águas, com 19 anos, e já um benfiquista ferrenho, por influência do pai Raul, vive um dia de glória aquando da vitória do Benfica na Taça Latina. No dia seguinte, um jornal local publica o poster dessa equipa e José Águas colaca-o na parede do quarto.
A notícia de que o Benfica – campeão Latino desse ano de 1950 – seguiria viagem até África causara uma onda de entusiasmo na grande massa de simpatizantes que viviam e trabalhavam naquelas distantes paragens. O Zeca ficou radiante porque o Benfica era, desde miúdo, o seu sonho dourado, e ansioso por conhecer pessoalmente os seus ídolos de então: o Rogério, o Azevedo e o “Julinho”. «Quando soube que o Benfica ia a África fiquei contente, claro, mas estava longe de julgar que isso viria modificar a minha vida.» Alguns adeptos ferrenhos do Benfica já tinham escrito para Lisboa, dando conta das qualidades de uma jovem promessa do Lobito, mas a direcção do clube mandara dizer que o assunto seria analisado quando a equipa se deslocasse a África, para então avaliarem as possibilidades do jovem jogador...
No mês seguinte, quando o referido poster já estava amarelo de apanhar tanto sol, o Benfica chega a Angola para uma digressão de início de época.
Dos 15 jogos previstos, o oitavo é o mais importante, Na primeira parte joguei a avançado-centro e na segunda a extremo esquerdo. A selecção do Lobito ganhou por 3-1 e eu marquei dois golos. Joguei e… agradei». Na entrevista publicada na revista Ídolos do Desporto, em 1956, o meu pai acrescentava pormenores: «Recordo-me perfeitamente do primeiro golo que marquei ao Benfica. Por sinal foi um grande golo, modéstia à parte. Eu estava a jogar a extremo, fugi ao Jacinto para o centro do terreno, recebi a bola pelo ar, parei-a com o peito, “desceu” ao pé direito... – e zás! – o amigo Contreiras nada pôde fazer...». A reportagem acentuava: «O primeiro golo de Águas não enganava ninguém e o treinador Ted Smith não era homem para ignorar um jogador daquele nível. Sim, Ted Smith ficou a olhá-lo como um petiz que cobiça um rebuçado. Um golo assim é tratado de futebol, define a bitola de um jogador!...»




Ted Smith, treinador inglês do Benfica, pede-lhe então que passe pelo seu hotel para falarem.
José Águas um novo jogador a quem o gigante louro oferecera não só um lugar na equipa mas o seu casaco de benfiquista. Ted Smith, o atlético treinador inglês, tomou a iniciativa de lhe emprestar o seu próprio casaco, igual ao dos jogadores. O meu pai vestiu-o, ainda que soubesse que ficava a «nadar» dentro dele. Foi então que ele sentiu – tal como se tivesse envergado a sua primeira camisola encarnada – que pertencia já ao Benfica, ao clube da sua paixão. Integrado na embaixada dos campeões nacionais e latinos, sentindo à sua volta o calor de uma instintiva simpatia, o Zeca sentia-se «Benfica» dos pés à cabeça. O seu corpo delgado (embora mais vigoroso do que poderia depreender-se da sua aparência quase franzina), ficava a dançar dentro da vestimenta vermelha que o possante inglês lhe cedera. Todos riram perante o espectáculo quase grotesco daquele jovem envergando um casaco que lhe ficava larguíssimo. Ele próprio riu também, porque via os outros rir e não queria que pensassem que «afinava» com a risota. Mas lá no fundo da alma, sem que os outros se apercebessem, despertara um sentimento novo, a secreta alegria de alguém que vê satisfeito um sonho bonito. – Sou jogador do Benfica!!


No dia seguinte, o FC Porto, por telefone, convida José Águas para umas férias na Invicta e uns treinos na Constituição(o estádio dos portistas), ao que este responde, timidamente: Amanhã respondo.
O amanhã nunca mais chegou para o FC Porto, pois para o Benfica, o amanhã significa a descoberta de mais um fenómeno da África ultramarina. Ponta-de-lança elegante e clássico, fazia do jogo de cabeça a sua grande arma.
José Águas larga tudo para vestir a camisola do Benfica no resto da digressão.



Nos três jogos seguintes, seis golos, incluindo um hat-trick na estreia, com a selecção Huíla-Lubango (entrou a 25 minutos do fim e apontou três golos. Foi obra!)

A 9 de Setembro de 1950, o Benfica aterra em Lisboa, com um reforço na bagagem.
Na revista Ídolos do Desporto, em Novembro de 1960, rezava assim a crónica: «Teve de suportar aquelas paródias que normalmente se fazem aos novatos – a cama que cai, a falsa chamada telefónica, a entrevista inventada – mas a tudo se prestava com o melhor sorriso, radiante por se ver no convívio do Rogério, do Arsénio, do Chico Ferreira e de outros que ainda ontem eram para ele uns ídolos distantes e inacessíveis e que via, agora, à sua volta, a mostrarem-lhe uma amizade e uma camaradagem que o traziam verdadeiramente deslumbrado e como que incrédulo de tudo aquilo ser mesmo verdade.» Não viajou para a metrópole com a equipa, pois ainda teve que resolver o assunto da licença militar.



«Alto, fino, magro, como aguentaria o jogo dentro da área, numa altura em que o futebol era jogado de faca na liga? Poucos seriam capazes de adivinhar que aquele rapaz bem-parecido, com pinta de actor de cinema, seria, 12 anos mais tarde, o grande José Águas, um dos mais notáveis avançados de sempre do futebol português, reconhecido unanimemente como o melhor cabeceador que os nossos estádios conheceram até hoje. Viajei com ele dezenas de vezes, pelo Mundo, com o Benfica e com a Selecção Nacional. A equipa chegava aos aeroportos, José Águas, alto, sempre vestido com elegância, óculos escuros, era automaticamente referenciado, pelas estrangeiras, como o homem a abater...» «Charme (in)discreto do avançado... alto, fino e magro», texto de Manuel Sequeira, publicado em 1993 no jornal A Bola.



José Águas demora duas horas a adaptar-se ao nosso futebol.
No primeiro jogo, com o Atlético, na Tapadinha (2-2), para a segunda jornada do campeonato nacional, Águas, nada habituado a um campo relvado e a jogar com pitons, quase não toca na bola e é posto em causa pela imprensa desportiva.
Antes que isso se transforme em críticas, Águas desfaz equívocos e marca quatro golos (o primeiro aos 30 minutos), na jornada seguinte, num estonteante 8-2 ao Braga.


Nas 13 épocas seguintes, José Águas vive momentos inesquecíveis, como a conquista das duas Taças dos Campeões, em 1961 e 1962 (na primeira edição é mesmo o melhor marcador da prova, com 11 golos em nove jogos), ambas como capitão, e um golo em cada final, ao Barcelona e ao Real Madrid, respectivamente. 



                                Entrevista a Béla Guttmann e José Águas antes da final de Berna

                                          José Águas Capitão do Benfica bi-campeão europeu


Trabalhou com Otto Glória, trabalhou com Béla Guttmann. Talvez o austro-húngaro tenha despertado em si maiores fascínios. Apesar da sua fama de treinador sempre de chicote na mão. A propósito desse jeito quase pretoriano de comandar homens, uma história deliciosa, pouco antes daquele dia de sonho em que José Águas se tornaria o primeiro português a tocar, com os olhos humedecidos de emoção, na Taça dos Campeões. O Benfica, ainda sem Eusébio, ganhara ao Ujpest, que representava meia selecção magiar, por 6-2. Mas Guttmann apenas permitiu que os seus pupilos deixassem o estágio no outro dia às oito da manhã, dizendo que para se ser campeão da Europa eram precisos muitos sacrifícios. Como nenhum director se encontrava, então, no Lar dos Jogadores, José Águas, na sua condição de capitão de equipa, pediu ao mordomo que mandasse buscar uns borrachinhos para uma petiscada, que na terça-feira contaria tudo a Guttmann. Encomenda feita, vieram os pombinhos e... seis garrafas de vinho verde. «Depois de comer tivemos o cuidado de embrulhar os ossinhos, tudo muito bem arrumadinho. As garrafas vazias ficaram em cima do armário. E aí é que foi o diabo! Sempre a tomar conta da situação, às sete da manhã do dia seguinte virei-me para o Cavém, que usava um malão para transportar os equipamentos, e pedi-lhe que metesse as garrafas no saco e as levasse para casa. Mas ele, de tão ensonado, esqueceu-se. Na terça-feira, Guttmann perguntou-me o nome dos jogadores que haviam estado na festança e avisou logo que estavam multados em mil escudos. E ficou pior quando soube que o Cruz, de quem ele gostava muito, também fazia parte do rol. Ele, eu, o José Augusto, o Cavém e o Costa Pereira. Por mais que lhe jurasse que lhe contaria tudo, não perdoou um tostão à multa. Depois de muito suplicar, apenas aceitou que o castigo não ficasse afixado no placard, para que os miúdos não vissem. Mas nenhum de nós lhe levava a mal ser assim. Porque sabíamos todos que o que Guttmann queria era a glória do Benfica e o sucesso de todos nós.»



Sem esquecer que foi o primeiro português votado para a "France Football", em 1961 (certamente votos do jornalista português, porque a sequência José Águas, Germano, José Augusto, Costa Pereira e Eusébio é no mínimo curiosa). Além das sete Taças de Portugal e de cinco campeonatos nacionais e cinco títulos de melhor marcador da Primeira Divisão, que contribui para que seja dos poucos jogadores do mundo a terminar a carreira com mais golos (290) que jogos (282).




Em 1962, a saída do técnico húngaro Bela Guttmann precipita o fim de José Águas.
Depois das vitórias de Berna e Amesterdão, ambas como capitão de equipa, José Águas ainda esteve, em 1963, em Londres, na terceira final consecutiva do Benfica na Taça dos Campeões Europeus. Guttmann já lançara a maldição e Riera fora a primeira vítima disso. Contra o Milan, o chileno decidiu lançar José Torres em vez de Águas, que assim, com alguma surpresa, foi para o banco de suplentes. «Algum tempo depois Riera pediu-me desculpa por não me ter colocado a jogar. Disse-lhe que quando me afastou da equipa já tinha contrato para ir para a Áustria, onde ganharia umas centenas largas de contos e até ficaria satisfeito com os golos de Torres. Era verdade, era a voz do meu coração de benfiquista, mas Fernando Riera parece não ter ficado muito convencido...»


Da Áustria voltou mais rico. Ainda foi para o Atlético. Como treinador. E, com Matateu na sua equipa, conquistou o título de campeão nacional da II Divisão. Mas não quis seguir a carreira de treinador por muito mais tempo. Preferiu continuar vendedor de automóveis. Aliás, não foi muito de admirar, já que, no seu período áureo, confidenciara que vestia o equipamento de futebolista com «o mesmo espírito com que um operário veste o facto-macaco», porque era assim que ganhava dinheiro e porque «não gostava de jogar à bola».





José Águas recordado na Luz

O livro «José Águas, O Meu Pai Herói» da autoria de Helena Águas foi apresentado na passada quarta-feira no Camarote Presidencial do Estádio da Luz perante uma plateia de ilustres benfiquistas, que fizeram questão de prestar homenagem a um dos maiores símbolos do emblema encarnado.
Com a presença de antigos colegas de equipa, nomeadamente José Augusto, Ângelo Martins, Francisco Palmeiro, Artur Santos e Artur Correia, a obra «José Águas, O Meu Pai Herói» foi apresentada pelo humorista Ricardo Araújo Pereira.
«Este livro demonstra bem o que é ser José Águas e ser do Benfica» frisou Ricardo Araújo Pereira.


Helena Águas, autora do livro, recordou alguns episódios relatados no livro, nomeadamente o primeiro jogo de José Águas em Portugal com a camisola encarnada.
«Quando chega a Lisboa, vem cheio de sonhos e com força para vencer, mas a estreia na Tapadinha foi um horror. Ele nunca tinha jogado em relva e calçado umas chuteiras com pitons. O resultado é que chorou, uma vez que não conseguia acertar na bola», contou, de forma carinhosa, a filha do ex-avançado do SL Benfica.
Rui Águas, antigo avançado do SL Benfica, não deixou de marcar presença na apresentação da biografia do seu pai, considerando que o livro «faz jus à sua memória».




Dados pessoais e Palmarés

Filho de Raúl António Águas (Lisboa – Luandaem 1933) e Elisa da Conceição Pinto (Porto, freguesia de Cedofeita - Luandaem 1947). Casou com Maria Helena de Jesus Lopes, nascida em Lisboa em 7 de Junho de 1930 e falecida em Lisboa no dia 18 de Junho de 2003. Do casamento nasceram Helena Maria de jesus Aguas(mais conhecida por Lena D'agua, em 16 de Junho de 1956; Cristina Maria de Jesus Águas, em 22 de Novembro de 1957; e José Rui Lopes Águas, em 28 de Abril de 1960.



Nome


















José Pinto de Carvalho Santos Águas
Nacionalidade  Portugal
Nascimento 1930-11-09
Naturalidade Luanda -  Angola


Posição
Avançado (Ponta de Lança)
Pé preferencial Direito
Internacionalizações A 25 jogos / 11 golos
Títulos



16 títulos oficiais:
 Liga dos campeões 1960/61, 1961/62(2)
 Liga Portuguesa 1949/50, 1954/55, 1956/57, 1959/60, 1960/61, 1962/63 (6)
 Taça de Portugal 1950/51, 1951/52, 1952/53, 1954/55, 1956/57, 1958/59, 1961/62 (7)
 AF Lisboa Taça de Honra 1ª Divisão 1962/63 (1)
Prémios


Portugal: Melhor Marcador
1951/52 (1.º), 1955/56 (1.º), 1956/57 (1.º), 1958/59 (1.º), 1960/61 (1.º)




José Águas pela seleção Portuguesa





terça-feira, 8 de outubro de 2013

Será que não tinha lugar mister? Nem que fosse para ir entrando...e provavelmente para de seguida não o conseguir tirar! O que terá feito o Miguel de errado?

A quem já tive a oportunidade de manifestar a minha opinião sobre o Miguel Rosa sabe que aprecio bastante as suas capacidades! Não sei se todos têm bem presente mas o Miguel fez parte dos quadros do Benfica 12 anos! 12! Ao fim de 12 anos sai porque quer jogar com os Homens....apenas e só por isso (falo do que sei...não posso concluir coisas que desconheço, e poderá ter-se passado algo que não se tenha falado...sei lá!). É claramente esta a ideia que passa cá para fora, de que este queria uma oportunidade na equipa A (qual o jogador que com 24 anos que manter-se em formação? Até nisto há similaridades com o Nolito...) e que como a equipa técnica (a direcção tambem? espero que sim! porque senao é ainda mais grave/ilógico) entendia que tinha melhor materia prima esta não iria surgir, e o Miguel optou por seguir o seu caminho.

Das duas uma, ou aconteceu algo que se desconheçe na opinião publica, ou então isto não tem qualquer sentido! Este ano o Benfica contratou alguns jogadores que fazem posições que o Miguel pode fazer e que, nas oportunidades que lhe foram dando, mostrou que as fazia bem. É certo que ainda não o tinhamos visto na primeira liga e que há sempre a ideia de que a transição pode ser complicada, mas tudo indicava que seria um jogador do Benfica que jogaria muito tempo no Benfica. Mas não! Infelizmente o Miguel foi para Belém e não teve um inicio de campeonato muito bom pois chegou tarde e atrasado á preparação da epoca, de seguida teve uma lesão e poucos minutos. Ora este fim de semana teve finalmente a oportunidade de jogar como titular na primeira divisão portuguesa sem entraves fisicos. E, ainda que se pudesse pensar que seria apenas mais um jovem jogador formado nos grandes que não chegaria á ribalta, ele tratou de esclarecer a situação assim que pode!

http://videos.sapo.pt/6bh0Wef6bsjZ59LgHllP

http://videos.sapo.pt/45HTLygZwZOZGA34wVN1

 Obviamente que estou contente por o Benfica contratar jogadores de qualidade mundial que nos têm brindado com uma qualidade tecnica impar mas e se os formarmos em casa? E se conseguirmos que um miudo de 19 anos formado por nós chegue á equipa principal com uma vontade tremenda de lá estar? Será que esse mesmo miudo não fará 3/4 epocas antes de sair e ser uma mais valia igual a tantas outras que temos "inventado"? Qual foi o jogador de Top que contratámos e que conseguimos segurar tanto tempo?... Talvez estivesse aqui o proximo passo...o tal balão de oxigenio que nos permitisse lutar regularmente com as mesmas armas que outros têm!

Ficaria muito mais descansado se fosse eu a estar errado e se o Miguel não tivesse uma boa carreira. Não que tenha algo contra ele, muito pelo contrário, mas porque seria sinal de que quem trabalha estes temas no clube percebe muito mais da "poda" que eu! Mas creio que não é isso que vai acontecer...e provavelmente daqui por uns meses falaremos mais dele! Espero nunca o ver com uma camisola feia vestida!

Carrega Benfica! 
  
Ainda me lembro deste dia!!!!



Ganhámos! Mas não ganhámos tudo....

Alguns meses depois, finalmente consegui conheçer o António Coimbra da Mota! No ano passado ficar á porta por falta de bilhete foi muitoooo complicado!!! O Benfica seguia na caminhada para o titulo e eu não queria perder nada do que se passava...foi um valente soco no estomago! 

Felizmente este ano as coisas foram feitas com mais antecedencia e consegui bilhete! 


Há muito tempo que não ia a um estádio Lisboeta de menor dimensão ver o Benfica (a ultima vez foi há 3 anos com o Belém para a taça...em que o Savi tratou de galgar meio campo e mete-la lá dentro!)! Infelizmente as equipas de Lisboa têm caido caido caido...e praticamente so temos equipas do Norte na primeira liga! Fiquei sentado na bancada dos socios do Estoril (escusado será dizer que a maioria tambem é do Benfica! Somos todos!) e foi uma experiencia muito agradavel! Tive varios momentos de dialogo com as pessoas que me rodeavam e nunca em momento algum houve algum tipo de crispação! Não podia deixar de falar disto pois nos dias que correm são coisas pouco comuns! Gente que gosta apenas de futebol! Parabens ás gentes do Estoril!



Quanto ao jogo propriamente dito...bem...confesso que me foi dificil assistir áquilo tudo! Olhando a toda a envolvente sou obrigado a dizer que me pareceu, por tudo, um jogo de 3 equipas de divisoes menores! Por um lado o Estoril que teve no seu jogo a força dos 3 homens da frente pois o resto da equipa estava em clara quebra fisica devido ao jogo europeu.  Por outro um Benfica que, em grande parte do jogo, utilizou o alivio e o chuto longo para "construir" as suas jogadas! No meio disto tudo uma equipa de arbitragem que não fez nada de jeito! Nadinha! Falhou até nos pormenores mais basicos! há 3 ou 4 lances que me ficaram na memoria e que, certamente, nao ficaram apenas na minha pois as pessoas do Estoril tambem se queixaram de varias opções que tambem eu achei incorrectas! Nao acho que o jogo nos correu mal por intenção do arbitro mas estou certo de que teria sido bem mais agradavel se ele não tivesse condicionados muitas jogadas como fez! Voltando ao Benfica, há varias coisas que não consigo perceber no nosso modelo táctico actual! Por um lado não percebo a dinamica dos extremos! Estamos maioritariamente a utilizar extremos que na prática se revelam interiores o que faz com que o nosso jogo perca largura! tanto o Marko como o Gaitan e o John tentam sempre diagonais interiores e, se no caso do Gaitan e do John (espero ve-lo jogar muito mais vezes pois é muito inteligente na condução e escolha) estes temporizam muitas vezes e mudam flancos com o intuito de alargar o jogo e depois criar a rotura para tentar finalizar, o MArko não! em 90% dos casos tenta vir para dentro sozinho com a bola no pé! Quando consegue passar pelo opositor cria perigo e quando não consegue tambem cria...mas cria no sentido contrário, ou seja, no da nossa baliza! Numa equipa que se quer de posse faz pouco sentido! Com a rapidez que ele tem, tem que jogar muito mais sem bola do que com bola e é ai que fará a diferença! No espaço! 
No que diz respeito aos avançados centro (sim, centro! porque o Rodrigo é um avançado centro e o J tem-no colocado como 2º e o Lima que para mim é 2º foi colocado a centro!) andaram, até á entrada do Cardozo, ás costas um do outro! É pouco productivo! O lima é um jogador muito movel e como tal cria roturas e espaços que o Rodrigo tambem tenta criar! O que não faz sentido é que ambos o façam ao mesmo tempo! Desta maneira os centrais adeversarios não têm referencia na area como acontece quando têm Cardozo e como tal quando alguem nosso ganha a bola perto da area, rapidamente tem 2/3 jogadores a ataca-lo visto que estes estão "disponiveis" para o fazer! Não gosto desta opção! E está mais do que provado que o nosso campeonato se decide com um centro e com um segundo...ou até mesmo com um médio ofensivo que não seja um avançado! Nunca com 2 avançados "centro" como tentámos já varias vezes e sempre sem sucesso! Quanto aos medios, gostei muito mais de ver o Matic voltar á sua posição tendo o Enzo na sua frente! Creio que dentro de poucos jogos iremos rever a dinamica do ano passado pois claramente notou-se uma dinamica de meio campo defensivo muito melhor! Inclusive quando foi necessário baixar as linhas devido aos ataques do Estoril viu-se muitas vezes o Matic a jogar no meio dos centrais, coisa que o Fejsa não faz (para já pelo menos) o que dá muito mais musculo defensivo! Isto é possivel pois o Enzo é um 8 com muito mais capacidade defensiva do que o Matic quando joga nessa posição! Pode parecer um contra censo mas é o que se vê na prática! Ainda assim na criação ficaram muito áquem do que vimos  o ano passado! Na defesa o Garay é um cavalo! É o nosso melhor defesa! E graças a ele não comprometemos em mais lances pois foram muitas as vezes que dobrou na perfeição o siqueira (que depois de se magoar não mais voltou ao jogo...pelo menos ao ofensivo) e tantas outras as que dobrou o Luisão...porque este teve tambem que fazer as dobras do Maxi o JOGO TODO! Creio que neste momento é o nosso sector mais forte (a zona central da defesa)! Mesmo com o Maxi a 10% vemos os dois centrais em dobras constantes! Maxi....não sei o que dizer dele! Ou melhor...até sei...mas custa-me dize-lo! Adoro o Maxi! Vibrei muito com ele desde que é nosso jogador! Mas neste momento...neste momento não tem condições para jogar! Está lento, previsivel, irrita-se com tudo (quem não se irritaria com aquilo que ele está a passar...)! O André tem que jogar ali! Enfim, digamos que jogámos como uma equipa menor, sem estrategia de jogo! O nosso maior recurso foi mesmo o despejar bolas na frente na esperança de que, por  termos 2 avançados muito moveis em campo, estes ganhassem uma segunda bola e resolvessem! Não aconteceu....e fomos sendo bombardeados por contra ataques do Luis (que jogador!!!) e do  Galvão! Se não tens bola...alguem a vai ter...e foi o que aconteceu! Um jogo mal preparado pelo Benfica! Espero que rápidamente voltemos ao modelo que pode e dá frutos! Pressão ao portador da bola na primeira linha de construção adeversária! Uma ultima palavra sobre este tema... Cardozo!

Aparte do jogo propriamente dito assisti a outras coisas que me deixaram preocupado! O JJ definitivamente não está bem! Está a acusar a pressão por todos os lados! É um homem triste neste momento e isso era bem visivel na sua expressão sempre que passou á minha frente! Mais ainda quando, já perto do fim, o jogo teimava em não se resolver! Na altura em que ele tenta tirar a bola a um jogador do Estoril, nessa altura o homem parecia uma boma prestes a explodir! Infelizmente sou levado a pensar o LFV se preparava para o despedir caso tivessemos perdido...e muito provavelmente JJ já o sabia! Espero que demova essa ideia da cabeça pois, se algo não corresse bem, teriam que sair os dois! 

Espero que esta paragem nos faça bem! Que toda a gente pare para pensar no que conseguimos fazer o ano passado como prova de que facilmente poderemos repeti-lo pois temos jogadores com condições para tal! A estratégia terá que ser obvia e quem não a seguir terá que sair da equipa (Maxi por ex...) é so poderá passar pela pressão alta, pouco espaço entre linhas, NUNCA despejar bolas na area adeversária, muito menos sem cardozo em campo e maior largura nas extremas! Com a qualidade individual que os nossos jogadores têm, com um modelo bem organizado acho que ainda temos condições de recuperar aquele que é o nosso lugar! 1º! 


Equipas iniciais

Estoril:
Vagner
Mano, Yohan Tavares, Ruben Fernandes, Babanco (Bruno Lopes)
Filipe Gonçalves, Gonçalo Santos, Evandro
Sebá (Gerso), Luís Leal, Galvão (Balboa)

Benfica:
Artur
Maxi, Luisão, Garay, Siqueira
Marković (Ola John), Enzo Pérez, Matić, Gaitán
Lima (Ruben Amorim), Rodrigo (Cardozo)

Golos: Lima (9'), Cardozo (70'); Balboa (72');




 

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segunda-feira, 7 de outubro de 2013

BENFICA GANHA

ESTORIL - BENFICA (7ºJornada)

Não foi um grande jogo, mas foi o jogo possível... Não esperei que fôssemos fazer um grande jogo, mas era essencial ganhar, e moralizar uma equipa que parece muitas vezes durante o jogo com falta de confiança. 
Temos um excelente plantel, mas ainda não temos equipa. Falta energia de grupo, ontem via-se principalmente na primeira parte lima e Rodrigo fazer pressão a frente junto aos centrais, não faz sentido que os centrais não subam fazendo o bloco empurrando o Estoril para o seu meio campo. Falta motivação individual, pois a excepção do Gaitan, foram praticamente nulas as iniciativas individuais, que mesmo não jogando muito bem, foi para mim o homem mais inconformado, e o melhor em campo do nosso lado. 
Falta-nos também jogadas colectivas, jogadas de superioridade numérica, quando até há pouco tempo criávamos espaços onde não existiam, pois existia movimentação em toda a equipa. Mesmo a transição que era uma das nossas armas mais fortes, esta a tornar-se previsível e lento... 

Apesar de tudo por agora da para ganhar, mas daqui a alguns meses, isto não será suficiente, e quando olho para esta equipa e impossível não acreditar que a equipa possa chegar ao nível do ano passado, ter a capacidade, motivação, a equipa que o ano passado discutiu a liga Europa com o Chelsea até ao fim!!!

Nao deslumbrou, mas no momento certo, estava no lugar certo

Tacuara ja nos habituou a muitos momentos destes, está de volta!!

Nem sempre fez bem, mas foi o homem com mais bola no pe, que mais mexeu com o ataque do Benfica, um grande crusamento para lima abrir o marcador.                                  
Nota: defensivamente parece estar a crescer. 

Plateia sempre reachada de adeptos e adeptas Benfiquistas 



Sempre presentes os Adeptos do Benfica, seja em que circunstância for...






Conferencia de imprensa

Resumo do jogo